Custeio Industrial

Custeio Industrial

O custeio tem por objetivo determinar o custo de cada item (que pode ser um produto ou um serviço) comprado, estocado, consumido, produzido ou mesmo já vendido. É um dos pré-requisitos para a elaboração do fechamento de estoque, que por sua vez e necessário para o fechamento contábil.

Vide também:

O custo de um item é a soma de várias parcelas, tais como:

  • aquisição do próprio item, se comprado
  • aquisição dos insumos, se o item for fabricado
  • frete
  • mão de obra direta: folha de pagamento
  • mão de obra indireta e custos gerais, tais como energia elétrica e aluguel
  • serviços externos realizados sobre os itens, tais como inspeção, pintura, consultoria.

As informações a respeito dos valores dessas parcelas podem vir em diferentes momentos, portanto custeio significa valor total calculado até determinado momento.

O custo de um item é acumulado:

  • em determinada posição (ou registro) de estoque, ou
  • na conta contábil CPV (custo dos produtos vendidos), se o produto já saiu da empresa, tendo sido vendido, dado ou descartado. Neste caso, e se o produto saiu de uma posição do estoque de “produtos prontos”, então seu custo total corresponderá ao valor total movimentado entre esta posição e a conta CPV.

O custo dos produtos se propaga através de movimentações, e não através de lançamentos contábeis.  Ou seja, a única forma de mexer no estoque, seja em quantidade ou em valor, é através de movimentações.

O MAXIPROD realiza o custeio por absorção, com um mínimo de necessidade de interferência do usuário.

Segundo os princípios do custeio por absorção, todos os custos incorridos por uma indústria devem ser absorvidos pelos seus produtos e serviços.  Entre os produtos e serviços, incluem-se tanto os produtos vendidos, como os prontos para a venda, os semiacabados e o estoque.

Esses custos não incluem as despesas gerais da empresa, tais como as vendas e publicidade, que não podem ser imputados direta ou indiretamente aos produtos e serviços gerados.

1. Contabilização das movimentações de estoque

Todos os valores incorporados ao estoque, inclusive através de ordens de produção, são transferidos por movimentações de valor.  Cada movimentação entre posições de estoque associadas a diferentes contas contábeis gera automaticamente um lançamento contábil.

O mecanismo geral de custeio é mostrado na figura abaixo:

Há dois tipos de movimentação:

  • movimentação primária  de quantidade e/ou valor, em que a origem é uma conta (ou não há origem, como no caso de criação de uma OP, sem valor) e não um estoque. Exceção: se a movimentação for de devolução ou estorno, então a movimentação não é primária, mesmo que a origem seja uma conta. Há alteração no valor global da empresa. O valor de um movimentação primária pode ser considerado como “uma imposição de fora”, não sendo resultante de outra movimentação. Uma movimentação primária não acumula valor de outras. O fato de uma NF gerar uma movimentação primária decorre de sua Operação Fiscal, que possui uma propriedade “gera movimentação”. As movimentações de valores de NFs ou rateios de valores de NFs (frete, consultoria e similares), ou ainda valores calculados indiretamente, por exemplo a mão de obra, são movimentações primárias. As movimentações primárias inserem valores no sistema de custeio, ie no sistema de estoques e movimentações.
  • movimentação secundária é uma movimentação não primária. O caso mais comum é a movimentação entre diferentes locais  internos da empresa (registros de estoque), sem trocas de valor com entidades externas. A movimentação secundária pode corresponder à propagação de uma movimentação primária, mas pode ocorrer mais tarde.  Exemplos de movimentação secundária:
    • baixa de insumos do estoque para ordens de produção
    • movimentação de saída de produtos do estoque de produtos acabados para a nota fiscal de venda. O valor movimentado independe do preço de venda, depende apenas do custo calculado do estoque de produtos acabados.
    • propagação do custo da mão de obra, em quantidade (horas) e valor, que pode ser determinada depois da conclusão da ordem de produção, que corresponde a uma movimentação primária. Este valor inclui o rateio dos custos gerais, como por exemplo de energia elétrica ou administrativos, entre os centros de custos
    • propagação do custo do frete, originária de uma NF de frete, que pode chegar depois do recebimento do material.  O recebimento da NF de frete é uma movimentação primária, mas a propagação do seu valor para os itens movimentados se faz através de movimentações secundárias.
Lançamentos contábeis das movimentações

Cada posição de estoque, inclusive as posições associadas às OPs,   está associada a uma conta contábil.

Cada movimentação entre duas posições de estoque, associadas a diferentes contas contábeis resulta, em algum momento, em um lançamento contábil (LC), com:

  • Crédito:  conta contábil associada à origem
  • Débito:   conta contábil associada ao destino

O LC de uma movimentação primária é feito simultaneamente com a sua criação porque,  havendo criação de um valor  (chegada de um serviço ou mercadoria à empresa), há uma contrapartida financeira sob a forma de um título a pagar:

  • Crédito:  conta contábil associada ao título a pagar
  • Débito:   conta contábil associada ao local de destino

Uma movimentação pode ser física, alterando as quantidades das  posições de origem e destino, e ao mesmo tempo de valor, ou não-física, transferindo apenas valor, não quantidade. A quantidade (física) da movimentação é um valor fixo, criado junto com o próprio registro da movimentação, que pode ser alterado apenas por uma operação de estorno, que corresponde a uma anulação da movimentação, parcial ou total. Em outras palavras, a quantidade da movimentação não é afetada pelo custeio ou por lançamentos contábeis. O valor de uma movimentação, por outro lado, é recalculado a cada movimentação, ou a cada momento pelo custeio, sendo uma função da movimentação física e de outros valores, conforme visto acima (NFs, LCs, mão de obra).  Quando é contabilizado, o VNC (valor não contabilizado) é zerado.

O custeio é feito por recálculo:

  • a partir dos valores de partida, registrados no último fechamento contábil, incluindo o valor dos estoques
  • adicionando as movimentações de valores realizadas após este fechamento, incluindo NFs de entrada e de saída, salários, outros pagamentos, e valores movimentados através dos próprios materiais.

Cada movimentação afeta o valor dessas posições. Cada posição de estoque possui um valor armazenado no fechamento contábil precedente. A esse valor, são adicionados ou subtraídos, por exemplo:

  • valores de NFs referentes a recebimentos de material
  • valores de NFs de frete externo, que são adicionados aos valores pagos ao fornecedor, mesmo que essas NFs cheguem em datas diferentes
  • no caso de posições de estoque associadas a OPs, são adicionados os valores referentes aos insumos, que por sua vez são subtraídos dos suas posições de origem
  • no caso de posições associadas a OPs, podem também ser adicionados valores de NFs de serviços realizados por terceiros, sobre estas OPs, tais como calibragens ou inspeções,
  • também podem ser adicionados valores referentes à mão de obra apontada ou estimada
  • ao ser concluído um produto da OP, o seu valor é subtraído da mesma, e adicionado à posição em que este produto é armazenado.
  • ao ser vendido um produto, o seu custo (não o seu valor de venda) é subtraído do estoque de expedição.
Contabilização de movimentação primária e secundária

Quando é feito o lançamento contábil de uma movimentação ?

  • movimentação primária: é contabilizada no momento do fato gerador, não havendo mais alterações na contabilização, exceto em caso de retificação do fato gerador, como por exemplo a revisão de uma NF. Uma movimentação primária não acumula valores propagados de outras movimentações.
  • movimentação secundária: normalmente, são contabilizadas no fechamento contábil seguinte. Uma movimentação secundária pode receber um valor inicial (LC) em uma data, e vários valores adicionais (LCs), propagados em datas posteriores.

Quando é feito o fechamento contábil, várias movimentações secundárias podem ter seus LCs acumulados, desde que esses LCs ocorram no mesmo mês.

No entanto, quando uma NF de frete, por exemplo, chega no mês seguinte (digamos em outubro) ao recebimento de material (que ocorreu em setembro), a movimentação será em setembro, e o LC em outubro. Neste caso, criaremos um registro em uma tabela nova,  MOVLC, que associa movimentações e LCs que ocorrem em meses diferentes,  e a relação será n:1 (n LC : 1 movimentação, ie haverá 1 movimentação e um registro de MOVLC por LC, mas pode haver vários LCs para uma movimentação ).  O registro de MOVLC indica o valor com que cada LC participa na movimentação.

Valor contabilizado (VC) e não contabilizado (VNC) de uma movimentação

Por exemplo mostrado anteriormente, pode ser primeiro recebida a madeira, no valor de R$ 1000,00, referente ao material, propriamente dito, e vários dias mais tarde a NF de frete, no valor de mais R$ 100,00. Ambas as movimentações são primárias.

A movimentação de baixa da madeira para a OP do pé-de-mesa também será realizada em duas datas diferentes:

  • 22.4: movimentação de R$  200,00, referente ao valor do material propriamente dito. Esta movimentação é secundária, pois não há alteração no valor global da empresa;
  • 29.4: movimentação de R$  20,00, referente à propagação do valor do frete. Esta movimentação também é secundária.

Se os LCs forem feitos nos dias seguintes às 2 movimentações de valor, respectivamente, teremos:

  • 22.4: movimentação de R$  200,00, referente ao valor do material propriamente dito:
    • VC = 0
    • VNC = 200,00
  • 23.4: contabilizamos, resultando:
    • um LC1 de R$ 200,00  C: matéria prima       D: produtos em elaboração
    • VC = 200,00
    • VNC = 0
  • 29.4: movimentação de R$  20,00, referente à propagação do valor do frete
    • VC = 200,00
    • VNC = 20,00
  • 30.4: contabilizamos, resultando:
    • um LC2 de R$ 20,00  C: matéria prima       D: produtos em elaboração
    • VC = 220,00
    • VNC = 0

2. Incorporação de custos ao estoque

2.1. Custos incorporados ao estoque sem rateio de mão de obra

Estes custos incluem:

  • o valor das NFs de aquisição, incorporado diretamente a cada item comprado;
  • o valor das  NFs de frete, rateado entre os itens transportados, proporcionalmente ao seu valor total. Veja como incorporar o valor das NFs de frete;
  • serviços realizados diretamente sobre itens individuais, que podem ser realizados por entidade externa, através de NF, ou por um centro de custos interno.

2.2. Custos incorporados por rateio de mão de obra

Estes custos incidem nas ordens de produção (OP).  No período do custeio, cada centro de custos direto (CCD) transfere para uma OP um valor dado por “horas realizadas pelo CCD na OP” x “custo/hora do CCD”. Este valor já inclui os custos indiretos, previamente rateados para os CCDs.

2.2.1. Determinação das horas de trabalho realizadas pelo CCD em cada OP

Há duas formas de ratear os  custos indiretos entre os produtos fabricados: pelos tempos obtidos do apontamento de mão de obra ou pelos tempos-padrão previstos para as operações.

Ou seja, os custos dos CCIs são rateados entre os CCDs proporcionalmente ao tempos de trabalho reais (apontamento) ou estimados (tempo-padrão) totais realizados pelos centros de custo diretos durante o período.

2.2.2. Determinação do custo/h de um centro de custos direto

O cálculo do custo/h de um CCD tem as seguintes etapas:

a) Determinação do custo dos centros de custo indiretos e seu rateio entre os centros de custos diretos

A energia elétrica, o aluguel e a manutenção dos imóveis e os insumos e serviços do refeitório são custos indiretos, rateados manualmente, ou através de percentuais fixos, entre os centros de custos diretos.  No recebimento de suas NFs não há movimentações, apenas LCs. A transferência de valores entre dos CCI para os CCD também é feita por lançamentos contábeis.

b) Adição dos custos diretos aos CCD

Os centros de custos diretos podem receber custos diretamente, por exemplo:

  • das folhas de pagamentos dos colaboradores associados diretamente a esses centros de custos, através de lançamentos contábeis.
  • da movimentação de peças de reposição ou material de consumo, tais como graxa, do estoque para esses centros de custos (não inclui os insumos)
  • da realização de serviços de montagem ou manutenção de equipamentos, realizados por terceiros, através de lançamentos contábeis.

c) Cálculo do custo/h do CCD

Somando-se os custos transferidos dos CCI com os custos incidentes diretamente nos CCD, resulta o custo total do CCD no período do custeio.   O custo por hora do CCD no período é obtido pela divisão do custo total do CCD pelo total de horas de trabalho realizado pelo CCD sobre as ordens de produção.

2.3. Custos incorporados ao estoque por baixa de insumos para OPs

Durante a execução de uma ordem de produção, esta recebe insumos, que são itens do estoque, originários de compras ou de ordens de produção anteriores, além do rateio da mão de obra e custos incorporados diretamente.

Naturalmente, para se determinar o valor de um item, é necessário determinar antes o valor do rateio de mão de obra e o valor de seus insumos. Os seus insumos são outros itens, cujo valor tem que ter sido determinado precedentemente, através do valor de seus insumos e da sua mão de obra, e assim por diante.  Em outras palavras, há uma sequência na determinação das ordens de produção, sendo que o custo de cada OP só pode ser determinado após a determinação do valor de seus insumos, que podem resultar de OPs anteriores.

Os custos de mão de obra podem ser determinados de forma independente dessa sequência, pois dependem apenas dos valores totais incorporados aos centros de custos indiretos e diretos, e do apontamento de mão de obra.

Por outro lado, alguns requisitos adicionais devem ser satisfeitos, para atender a legislação:

  • o valor do estoque é obtido pela média ponderada móvel de cada item;
  • as devoluções e estornos devem ter o valor da movimentação original, não contaminando o estoque pelo cálculo da média ponderada móvel;
  • todos os produtos resultantes de uma ordem de produção devem ser produzidos pelo mesmo valor.

Para atender esses requisitos, todas as movimentações de valor de um item devem ser calculadas antes dos reflexos de uma  baixa desse item em uma OP de outro item.  Para isto, é necessário definir um ordenamento global dos itens, dos insumos para os produtos e, a a seguir, calcular todas as movimentações de  valor de um item antes do cálculo dos valores do item seguinte.

Vide: Por que as movimentações não são sempre avaliadas em ordem cronológica?

Ilustraremos o custeio industrial com um exemplo numérico que aborda os pontos principais da fabricação de uma mesa.

No dia 10/4 a indústria recebe um carregamento de 100kg de madeira, com preço de R$ 1000,00, mas a NF de frete chega apenas no dia 15/4 quando uma parte da madeira já foi usada.

O MAXIPROD registrou as seguintes movimentações:

 Prim
/sec
MovimentaçãoAlterações no estoqueLC
10/4primNF: recebimento 100 kg de madeira por R$ 1000,00 (VC)estoque de madeira 100kgautomático
12/4secbaixa de 20 kg de madeira por R$ 200,00 para OP de pés de mesa (o frete não foi incluído)estoque de madeira 80 kg
OP de pés de mesa R$ 200,00
custeio
13/4secbaixa de R$ 200 de mão de obra para a OP de pés de mesa, depois do rateio dos custos indiretos-custeio
15/4primNF: R$ 100,00 de frete dos 1000 kg de madeira, é criada uma movimentação com data 10/4estoque de madeira recebe os 100,00 do frete, totalizando R$ 180,00automático
16/4secconclusão 6 pés de mesa da OP de 10 pés de mesa 6/10 * R$ 200,00 = R$ 120,00estoque de pés de mesa: 6 pés, valor R$ 120,00
OP de pés de mesa: 4 pés por R$ 80,00
custeio
18/4secbaixa de 4 pés de mesa para a OP de 1 mesa por 4/6*120,00 = R$ 80,00estoque de pés de mesa 2 por R$ 40,00
OP de 1 mesa: R$ 80,00
custeio
19/4secbaixa de 1 tampo de mesa para a OP de 1 mesa, por R$ 60,00OP de 1 mesa: R$ 140,00custeio

No dia 20/4 é solicitado o custeio, isto é, o recálculo de todos os valores.

Assume-se que os rateios de mão de obra já foram calculados; este cálculo não é detalhado.

Etapa 1

Os registros de estoque recebem o valor do fechamento contábil imediatamente anterior.  Para simplificar, vamos assumir que, nessa ocasião, todos os estoques tinham quantidade e valor 0, exceto o estoque de tampos de mesa, do qual, no fechamento anterior, havia uma quantidade = 5, com valor total R$ 300,00.

Etapa 2

Todas as movimentações não primárias tem o seu valor zerado, e todos os lançamentos de custeio são apagados.

Etapa 3

É feito o ordenamento dos itens movimentados no período, dos insumos para os produtos, resultando a sequência:

  • madeira
  • pé de mesa
  • tampo
  • mesa
Análise do item “madeira”
Dtprim
/sec
movimentaçãoquant e valor do estoqueLC
10/4primNF recebimento 100 kg de madeira por R$ 1000,00madeira: 100 kg, R$ 1000,00mantido
10/4primNF R$ 100,00 frete exclusivo dos 100kg de madeiramadeira: 100 kg, R$ 1100,00mantido
12/4secbaixa de 20 kg de madeira para a OP de pés de mesa, por 20/100 * 1100,00 = R$ 220,00madeira: 80 kg, R$ 880,00
OP de 10 pés: R$ 220,00
R$ 220,00
C: Estoque
D: Elabo

Análise do item “pé de mesa”

Dtprim
/sec
movimentaçãoquant e valor do estoqueLC
7/4primcriação da OP de pé de mesa-
12/4secrecebe R$ 220,00 de mov de outro item (madeira)OP de 10 pés: R$ 220,00já feito
13/4secrecebe R$ 200,00 de mão de obra (depois de incorporados os custos indiretos aos diretos)OP de 10 pés: R$ 420,00R$ 200,00
C: CCustos
D: Elabo
16/4secconclusão 6 pés de mesa: 6/10 * 420,00 = R$ 252,00valor da OP do pé: R$ 168,00
valor do estoque de 6 pés: R$ 252,00
R$ 252,00
C: Elabo
D: Estoque
18/4secbaixa de 4 pés de mesa para a OP de 1 mesa = 4/6 * R$ 252,00 = R$ 168,00valor do estoque de 2 pés R$ 84,00
valor da OP da mesa = R$ 168,00
R$ 168,00
C: Estoque
D: Elabo

Análise do item “tampo de mesa”

Dtprim
/sec
movimentaçãoquant e valor do estoqueLC
fechamento anteriorvalor do estoque de 5 tampos R$ 300,00-
19/4secbaixa 1 tampo para a OP de 1 mesa, por R$ 60,00estoque de 4 tampos: R$ 240,00R$ 60,00
C: Estoque
D: Elabo

Análise do item “mesa”

Dtprim
/sec
movimentaçãoquant e valor do estoqueLC
7/4primcriação da OP da mesa-
18/4secrecebe R$ 168,00 de mov de outro item (pé de mesa)OP de 1 mesa: R$ 168,00já feito
19/4secrecebe R$ 60,00 de mov de outro item (tampo)OP de 1 mesa: R$ 248,00já feito
19/4recebe R$ 70,00 de mão de obraOP de 1 mesa R$ 318,00R$ 70,00
C: Ccusto
D: Elabo
20/4secconclui 1 mesa, transferindo-a para o almoxarifado "PRONTO"OP da mesa R$ 0,00
Estoque Pronto 1 mesa : R$ 318,00
R$ 318,00
D: Elabo
C: Pronto
25.4primvenda da mesa por R$ 800,00mesa no PRONTO: R$ 0,00
conta CPV recebe R$ 318,00
R$ 318,00 (custeio)
C: Pronto
D: Conta de Produtos
Vendidos
R$ 800,00 (autom)
C: Receita
D: Clientes a receber

3. Formas de obtenção dos custos de mão de obra, e seu rateio

Há duas formas de ratear os centros de custos indiretos no custo final dos produtos fabricados: pelo apontamento de mão de obra ou pelo tempo padrão previsto para as operações.

E também há duas formas de obter os custos de mão de obra na produção: usando os custos absorvidos pelos centros de custos (preciso) ou usando os custos previstos (aproximado).

O MAXIPROD permite escolher a melhor forma de controle, podendo haver diferentes combinações entre a origem da divisão de horas trabalhadas em cada ordem de produção e os custos de cada produção:

Ou seja, pode-se ratear os custos reais (atribuídos aos centros de custo) proporcionalmente às horas previstas (tempos-padrão).

Pode-se também ratear os custos previstos (sem lançamentos em centros de custos) proporcionalmente às durações previstas (usando os tempos padrão, e não os apontamentos de mão de obra), conforme mostra o exemplo abaixo.

As duas opções são configuradas na tela de Configurações (roda dentada) do menu principal:  Configurações > Configurações contábeis > Configurações dos cálculos dos custos de mão de obra.

4. Exemplo, usando o rateio por tempo-padrão dos custos previstos no roteiro cadastrado 

Mostramos a seguir um exemplo de custeio em uma empresa que que não controla as horas trabalhadas, nem os centros de custos, mas fazendo o rateio pelos custos previstos de produção, conforme cadastrado no roteiro de produção dos itens.

Usando este método, o custeio por absorção não é perfeito, mas aproximado. O valor correspondente à mão de obra dos produtos produzidos em um período não é igual à soma dos custos reais durante esse período, pois os custos dos centros de trabalho (tempos-padrão dos roteiros de produção, e custos/hora) não são calculados, mas estimados, previstos.

O rateio de custos a partir dos tempos e custos previstos é feito a partir dos dados informados no roteiro de produção de um item. Para mais informações sobre como montar um roteiro de produção, visite nossa página de ajuda sobre o tema clicando aqui. Nos passos abaixo, mostraremos como funciona este processo de rateio:

  1. Nossa empresa produz o item “CAMISETA0001 – Camiseta Branca”. Para produzi-lo, é necessário passar pelo seguinte roteiro de produção:
  1. Cada operação passa por um centro de trabalho, que tem um custo/h. A partir do tempo padrão de uma operação, pode-se prever o custo de produção direto e indireto desta operação. Veja como cadastrar o custo/h dos centros de custo, clicando aqui.
  2. O roteiro de produção do item “CAMISETA0001 – Camiseta Branca” tem o custo total de R$2,874 por unidade produzida, que é a soma dos custos das operações do roteiro de produção.
  3. Foram criadas as seguintes ordens de produção do item “CAMISETA0001 – Camiseta Branca”:
  4.  Ao concluir as ordens de produção, os itens fabricados entram no estoque com custo igual ao dos insumos baixados.
  5. Todos os lotes produzidos do item “CAMISETA0001 – Camiseta Branca” tem o mesmo custo unitário, porque na conta contábil “Produtos acabados” definimos que o custo dos lotes deve ser uma média entre todos os custos.a
  6. Este custo não está completo, faltando os R$2,874 do custo da mão de obra, representada pelo roteiro de produção. Para incluir esse custo, é necessário rodar uma ação de recalcular o estoque.
  7. Antes de recalcular o estoque, é necessário parametrizar alguns cadastros:
    1.  Crie uma conta transitória para transferência dos custos: vá ao menu Contabilidade > Cadastros > Contas contábeis. Na tela de contas contábeis, crie a conta que receberá os custos de produção, como mostrado na imagem abaixo:
    2. Na edição da conta de transferência de saldo, marque a opção Inclui no rateio do custeio. Se essa opção não estiver marcada, a transferência não ocorrerá.
    3. Essas contas transitórias recebem os custos de produção, que a seguir serão transferidos para os estoques produzidos.
    4. Após cadastrar as contas, vá ao menu Roda dentada > Configurações.
    5. Na tela de configurações, clique em Configurações contábeis.
    6. Nas configurações contábeis, defina se o rateio de custos de produção, deve ser feito por custos previstos ou centros de custos.
    7. Preencha os campos de contas transitórias para transferência de saldos com as contas criadas nos passos anteriores, conforme a imagem abaixo:
  8. Vá ao menu Estoque > Fechamentos de estoque.
  9. Na tela de fechamentos de estoque, vá ao menu Ferramentas > Calcular estoque atual.
  10. Marque a opção Incluir custos de mão de obra.
  11. Selecione as opções “Usar durações previstas” e “Usar custos previstos”.
  12. Clique em .
  13. Uma alternativa à opção de recalcular o estoque atual, seria criar um fechamento de estoque. Para mais informações sobre fechamentos, clique aqui.
  14. Ao final do processo, as ordens de produção de itens que possuem custo previsto, terão movimentações de custo de mão de obra incluídas em seu histórico.
  15. Os estoques das ordens de produção passam a ter o custo unitário atualizado para o custo dos insumos (R$7,6173‬) + custo da mão de obra (R$2,874) = R$10,4913.